Oito etapas
Da viabilidade à emissão
As etapas seguem em ordem e cada uma depende do resultado da anterior. Pular uma etapa volta como não conformidade na auditoria seguinte — por isso tentativas de acelerar costumam alongar o prazo.
Viabilidade e escolha da metodologia
Avaliamos se o projeto pode gerar créditos. A pergunta decisiva é a adicionalidade: essa redução teria acontecido sem a receita do projeto? Se a resposta for sim, não há créditos a emitir. Caso contrário, define-se aqui o padrão e a metodologia.
Documento de Concepção do Projeto (PDD)
O dossiê formal do projeto. Cenário de referência, parâmetros a monitorar, método de cálculo, consulta às partes interessadas e redução esperada são definidos aqui. O organismo validador auditará este documento, então tudo que ficar vago retorna depois como não conformidade.
Validação
Um organismo independente e acreditado analisa o PDD, visita o local e confirma a conformidade do projeto com a metodologia. As não conformidades são respondidas e corrigidas. Nesta fase audita-se a concepção do projeto — a redução ainda não é medida.
Registro
O projeto aprovado é inscrito em um registro. O cadastro é público: documentos do projeto, relatórios de verificação e os números de série dos créditos emitidos podem ser consultados. Essa transparência é justamente o mecanismo que impede vender a mesma tonelada duas vezes.
Monitoramento
Com o projeto em operação, os parâmetros definidos no PDD são medidos e registrados: biomassa e taxa de sobrevivência no reflorestamento, kWh gerados na energia renovável, carbono orgânico do solo na agricultura regenerativa. Se a disciplina de registro falhar aqui, a verificação não passa.
Verificação
O organismo independente audita o relatório de monitoramento e confirma quantas toneladas foram efetivamente reduzidas, sob acreditação ISO 14064-3. O número resultante é a quantidade de créditos a emitir.
Emissão dos créditos
O registro emite créditos no volume verificado, cada um com número de série. Cada crédito equivale a uma tonelada de CO₂e, carrega uma safra (o ano da redução) e é atribuído a uma única conta. A partir daí é um ativo transferível.
Venda, transferência ou aposentadoria
O crédito é vendido ou aposentado para compensar as emissões da própria organização. A aposentadoria é irreversível — o crédito fica marcado permanentemente como usado e não pode mais ser negociado. A alegação de compensação só é válida após a aposentadoria.
Tipos de projeto
De onde vêm os créditos
Nem todo projeto funciona em qualquer país, terreno ou instalação. A elegibilidade depende da titularidade da terra, do histórico de dados, da regulação e da estrutura de financiamento.
Reflorestamento
Plantio em terras degradadas ou improdutivas. O tipo mais conhecido do mercado. Exige compromisso longo, com risco de permanência e reserva para incêndios e pragas.
Conservação florestal
Evitar a perda da cobertura florestal existente. Os cobenefícios para comunidades locais pontuam bem. A construção do cenário de referência é o ponto mais sensível deste tipo.
Carbono azul
Carbono armazenado em ecossistemas costeiros e marinhos. Além do benefício climático, previne erosão e absorve ressacas. Ainda pouco aplicado no litoral turco.
Energia renovável
Reduzir a intensidade de carbono da rede com geração eólica e solar. O tipo mais direto de medir — os kWh gerados são contáveis. O teste de adicionalidade, porém, é mais difícil aqui.
Agricultura regenerativa
Práticas que elevam a matéria orgânica do solo sob o RegenAGRI. Com os dados de emissões verificados sob ISO 14064/5, a fazenda ganha uma segunda fonte de receita.
Captura de carbono
Capturar CO₂ do ar ou dos gases de exaustão e armazená-lo geologicamente. Preciso de medir, caro de operar. Escala limitada hoje — mas gera os créditos de maior preço.
Você tem terra, uma planta ou uma ideia de projeto?
Uma conversa curta antes da viabilidade costuma esclarecer se o projeto pode gerar créditos. Não cobramos por essa conversa.